Empresas familiares e seus gigantes 

O Canal pago History está apresentando uma série chamada "Os Gigantes do Brasil" de produção nacional. Nos episódios ela relata a trajetória de 4 empresários que marcaram o início do século passado: Francesco Matarazzo, Percival Farquhar, Giuseppi Martinelli, Eduardo Pallasim Guinle. 

Independentemente de suas histórias de vida, a série mostra claramente algumas características de como se estruturam os empreendimentos familiares. Hoje, isso nos leva a refletir se não existem, no momento atual, pensamentos baseados no século passado. 

Traçamos alguns pontos positivos e negativos para os negócios atuais que sugerem uma reflexão: 

Pontos fortes 

1 - Um comando único, permite reações rápidas em situações de emergência, dando à empresa maior versatilidade e rapidez com vistas à mudança de cenários; 

2 - Dentro de sua história se estabelecem importantes relações comunitárias e comerciais decorrentes de um nome respeitado, o termo "um nome a zelar"; 

3 - A relação com seus empregados é baseada na proximidade, respeito e confiança atraindo assim um comportamento de lealdade e dedicação; 

4 - Esse tipo de empresa gera uma forte valorização da confiança mútua, independentemente de vínculos familiares. A formação de laços entre empregados antigos e os proprietários exerce papel importante no desempenho da empresa, se cria um grupo interessado e unido em torno do fundador; 

Pontos fracos: 

1 - Pelo ímpeto do empreendedor existem dificuldades na separação do que é intuitivo emocional e racional, tendendo mais para o primeiro. Isso coloca em risco o próprio negócio; 

2 - Pelo poder instituído, o fundador com sua postura de autoritarismo e austeridade, na forma de viver e na administração dos gastos, alterna com atitudes de paternalismo, que acabam sendo usadas como forma de poder e manipulação; 

3 - Os laços afetivos extremamente fortes, influenciam os comportamentos, relacionamentos e decisões da empresa e isso nem sempre satisfaz à todos; 

4 - Critérios pouco técnicos nas avaliações de desempenho acabam valorizando a antiguidade como um atributo que supera a exigência de eficácia ou competência; 

5 - Jogos de poder e as vezes até intrigas dentro do ambiente acabam mascarando atitudes destrutivas nas quais muitas vezes vale mais a habilidade política do que a característica ou competência administrativa. 

Com a falta de planejamentos para médio e longo prazo a tendência é que a segunda geração assuma os negócios sem preparação profissional. Surgem os conflitos entre os interesses da família e os da empresa, o ambiente empresarial fica contaminado com a falta de compromisso, sobretudo com respeito a lucros e desempenho. 

A série "Gigantes do Brasil" relata a trajetória dos pioneiros da era moderna que fundamentaram seus negócios fabulosos baseados nesses dogmas. E agora cabe a pergunta: seus impérios hoje ainda estão de pé?