Filhos e dinheiro: suas atitudes valem mais que suas palavras

Tenho um filho de três anos de idade. Meu único filho, por enquanto. A experiência de sermos pais é algo intenso. Como pode um ser tão pequeno conseguir fazer tanta bagunça? (risos). Brincadeiras à parte, a responsabilidade é enorme. Os pequenos vão ganhando idade e o processo de aprendizagem é acelerado pelas tecnologias da vida moderna. Eu fico impressionado ao ver a habilidade de meu filho com seus dedinhos deslizando pela tela do tablet, brincando com os joguinhos interativos.

A escola, parceira na educação, cumpre seu papel pedagógico e social, mas nada tem mais influência na implementação de hábitos do que o exemplo dos próprios pais. Você pode falar o que quiser para seu filho, mas ele vai aprender mesmo é observando o seu comportamento. E quanto mais cresce, mais perspicaz essa “imitação” se torna.
Fiz essa introdução para falarmos sobre alguns comportamentos dos adultos em relação ao dinheiro e para refletir sobre como tudo isso começa.
O alto custo da falta de conhecimento
Todos conhecemos pessoas que são equilibradas com as finanças e outras que estão flertando o tempo todo com a falência. E não é (apenas) uma questão do quanto se ganha, mas como se lida com o dinheiro que se ganha.
Com raríssimas exceções, gostamos muito de dinheiro. E não há nada de mal nisso, afinal o dinheiro é um instrumento importante na melhoria de nossa qualidade de vida.
O grande paradoxo é que gostamos de dinheiro, mas dedicamos pouco tempo para aprender sobre como cuidar dele. Onde não há conhecimento, os riscos são altos, e pagamos caro.
Isso acontece porque ficamos sem condições de defesa, e o ambiente ao redor termina por nos surpreender, nos enganar e nos machucar. Veja alguns exemplos:
Se você vai ao banco e diz ao gerente que tem um dinheiro para investir, mas não sabe onde, se ele não for uma pessoa honesta, irá recomendar aquilo que é melhor para ele (para que possa alcançar as metas). Ele poderá te oferecer um título de capitalização (que nem investimento é) em vez de oferecer uma aplicação em títulos do Tesouro Nacional, por exemplo.
Se você vai a uma loja de automóveis e diz que deseja um carro, mas conhece pouco do assunto, corre o risco de o vendedor empurrar para você um carro de má qualidade, com preço elevado, e ainda financiado em condições pouco vantajosas para você (aliás, raramente financiar um veículo será vantajoso para seu bolso).
Se você está exposto ao bombardeio de propagandas que foram cuidadosamente preparadas para vender algo que você não precisa, e apelando para você usar o dinheiro que você não tem, e não se dá conta disso, terminará caindo na armadilha do consumo irresponsável.
Se você não conhece nem domina suas emoções, será uma presa fácil para a pessoa que é habilidosa na exploração dos chamados “gatilhos mentais”, que são técnicas para disparar em você algumas sensações que podem também te conduzir ao consumo irresponsável.
Só você pode resolver isso
A única maneira de você se defender dessas e de várias outras situações é obter conhecimento, e este começa pela educação financeira, que basicamente te ensina a ponderar sobre como você utiliza o dinheiro que você recebe, para viver com menos do que você ganha e aplicar o restante em investimentos que multipliquem o dinheiro poupado.
Voltando ao assunto dos filhos, se a educação financeira não encontrar espaço no lar, continuaremos a perpetuar nossos maus exemplos de uso do dinheiro para os nossos filhos, que estão vendo a todo o instante a maneira como lidamos com este assunto. E assim criamos gerações de pessoas incapazes de gerar riqueza de forma sadia.

Conclusão: Se você quer um futuro melhor para os seus filhos, além de todos os bons princípios que você irá ensinar para eles, inclua também a educação financeira, que irá ajudá-los a gerar sua própria riqueza e/ou a administrar melhor a riqueza herdada. É também assim que se forma uma nação rica.

Por Giovanni Coutinho